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Uma solução moderada

Deve-se buscar uma saída para que dois Estados democráticos existam lado a lado, pacificamente.

Por Tzipora Rimon


Quando Israel saiu de Gaza em setembro de 2005, havia muita expectativa em relação ao avanço do processo de paz. Os palestinos poderiam ter usado essa saída para criar um novo começo para o seu povo, em direção à "solução de dois Estados". Ao invés disso, grupos extremistas estão fazendo com que Gaza se torne uma base de terrorismo da "Jihad" (Guerra Santa) contra Israel, contra os moderados palestinos e contra aqueles que desejam a paz, democracia e estabilidade na região.


A liderança do Hamas na Faixa de Gaza apóia e participa em uma grande variedade de operações terroristas, incluindo ataques suicidas, seqüestros, disparos e fogo de morteiro e de foguetes Qassam contra cidadãos israelenses, e contra os palestinos que não concordam com a ideologia do Hamas.


Existe uma solução moderada - dois Estados democráticos existindo lado a lado em paz - que tem sido adotada por Israel, pelos palestinos moderados, além dos Estados árabes moderados, e da comunidade internacional. O eixo extremista - composto do Irã, Síria, Hezbollah e Hamas - não tem nenhum desejo de conseguir a paz baseada na moderação e compromisso.


A atual realidade extremista em Gaza não apenas põe em perigo as vidas de cidadãos israelenses, como também mina as chances de paz e estabilidade para toda a região. A comunidade internacional, representada pelo Quarteto (EUA, UE, ONU e Rússia), foi bem clara em sua exigência de que qualquer governo palestino deve afirmar os três seguintes pré-requisitos, em sua totalidade: reconhecimento do direito de existência de Israel; cessação e denúncia do terrorismo; aceitação de acordos anteriormente assinados com Israel, incluindo o Mapa do Caminho.


O Quarteto reiterou sua posição de uma maneira clara em sua última reunião no dia 02 de fevereiro de 2007. Ao final da "Cúpula de Meca", a declaração palestina não incluiu a afirmação desses pré-requisitos. Israel deseja enfatizar que atos terroristas - incluindo ataques de foguetes provenientes de Gaza contra as cidades israelenses e o contrabando de armas e outros artefatos para a guerra para dentro da Faixa de Gaza, devem cessar. Além disso, o cabo Gilad Shalit que foi seqüestrado, tem que ser libertado.


Israel continuará a acompanhar o desenvolvimento, à luz das diretrizes claras do Quarteto, e ao mesmo tempo exigirá que os palestinos implementem estas medidas. Nos 16 meses desde que Israel saiu da Faixa de Gaza, os palestinos lançaram aproximadamente dois mil foguetes Qassam contra comunidades civis israelenses na região do Negev Ocidental, o que significa, uma média de 125 ataques por mês, ou quatro foguetes diários. Mesmo o grandemente alardeado "cessar-fogo" declarado há dois meses, não conseguiu acabar com os ataques dos foguetes. Desde então, quase 100 foguetes atingiram Israel. Apenas Israel cessou o fogo, não os terroristas.


A estratégia do Hamas tem o objetivo de convencer os residentes de Sderot e outras comunidades israelenses ao redor da Faixa de Gaza, de que é impossível viver uma vida normal, forçando-os a deixar suas casas. Não há nenhuma intenção de parar com os ataques contra as pequenas cidades. Grupos terroristas palestinos têm expandido o raio de ação e multiplicado o poder de destruição de seus foguetes Qassam.


Em breve, eles terão a cidade portuária de Ashkelon e o centro industrial de Kiryat Gat - grandes centros populacionais israelenses, com mais de 150.000 habitantes, dentro deste raio de ação. Extremistas palestinos estão agora procurando maneiras de melhorar suas capacidades estratégicas em preparação para um futuro conflito com Israel. Em busca de inspiração, eles olham para o modelo do Hezbollah - o grupo terrorista extremista islâmico, que, com a ajuda do Irã e da Síria, armazena dezenas de milhares de mísseis no sul do Líbano, esperando o momento certo para usá-los contra a população israelense.


Desde a retirada israelense, as organizações terroristas palestinas têm tido sucesso em contrabandear para Gaza dezenas de mísseis de artilharia de longo alcance, mísseis anti-aéreos guiados e mísseis de precisão anti-tanque.
Essas armas avançadas tiveram um reforço de mais de 33 toneladas de explosivos de uso militar, centenas de foguetes anti-tanque, 20.000 rifles de assalto e mais de 6 milhões de cartuchos de munição.


Os extremistas palestinos adotaram também, a tática usada pelo Hezbollah, de usar escudos civis. Os grupos terroristas disparam seus foguetes Qassam do interior de áreas densamente habitadas, a fim de protegê-los do contra-ataque israelense. Além disso, os líderes terroristas começaram a chamar centenas de civis, especialmente mulheres e crianças, para reuni-los ao redor de suas bases e esconderijos, para ajudá-los a escapar da captura israelense ou evitar ataques aéreos de Israel.


Ironicamente, estas táticas demonstram que apesar de sua propaganda em contrário, os palestinos têm plena noção de que ao encher estas áreas com civis, eles poderão impedir as operações de contra-terrorismo israelense.


Os grupos terroristas escolheram propositadamente explorar as vias humanitárias israelenses, ao planejar seus ataques terroristas. Há inúmeros exemplos de terroristas armados com cintos de explosivos, granadas ou armas automáticas que tentaram entrar em Israel, após receber uma permissão especial para receber tratamento médico em hospitais israelenses. Da mesma forma, funcionários israelenses em postos de passagem humanitários têm sido um alvo primário de bombas e disparos terroristas, devido a sua proximidade com civis palestinos.


Apesar da pressão internacional, o Hamas tem se recusado a reconhecer o direito de existência de Israel em paz e segurança, tem rejeitado os acordos já assinados pelos líderes palestinos anteriores e tem continuado a apoiar e cometer atos de terrorismo contra Israel e seus cidadãos.


Os moderados na região como o Egito e a Jordânia, como também os moderados palestinos, que como Israel, apóiam a "solução dos dois Estados", têm externado sua objeção aos objetivos extremistas do Hamas. Por esta razão, a comunidade internacional responsável tem parado o apoio financeiro ao governo palestino liderado pelo Hamas.


Conseqüentemente, a organização Hamas está cada vez mais se voltando ao Irã para financiar suas operações terroristas e sua folha de pagamento. Até o momento há uma estimativa entre US$ 50 a US$ 70 milhões, em dinheiro proveniente do Irã que entrou na Faixa de Gaza com esse objetivo.

Concluindo, apesar de Israel ter se retirado de Gaza a fim de promover uma melhor realidade para os palestinos, o Hamas fez com que Gaza se tornasse um abrigo para os extremistas.

Tzipora Rimon é Embaixadora de Israel no Brasil.

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