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Parashat Hashavua

by aaduque last modified 2012-01-27 18:29

Comentários das Parashot

PERASHAT HASHAVUA – BÔ – PORÇÃO SEMANAL DA TORÁ. COMENTÁRIOS DO DR. ISAAC DAHAN.

Após as sete pragas lidas na perashá anterior, o Faraó, sua corte e o povo do Egito sentiam que muitos males poderosos, sem qualquer defesa para os seus deuses, ainda estavam por vir, embora nem sonhassem com a intensidade do golpe fatal que se avizinhava, fruto da obsessão que dominava o coração de Ramsés II, crente na utopia de uma casta superior entre os homens.

BÔ é entendida como a transição entre a escravidão e a liberdade, contendo os três últimos flagelos que se abateram sobre os egípcios, gafanhotos, escuridão e morte dos primogênitos, os quais trazem como denominador comum as trevas nas quais continuaram imersos o Faraó e seu país, enquanto que por outro lado e ao mesmo tempo, lemos em Ex. 10:23: “para todos os filhos de Israel havia luz em suas habitações”, quer dizer, luz real, física, juntamente com uma luz interior, espiritual, vislumbrada pelo ser humano ante a certeza da liberdade.

Sabemos que a Tora como um todo foi entregue no Monte Sinai. Entretanto, quatro de suas mitsvot (preceitos) foram ordenados anteriormente. “Peru Urbú” (frutificai e multiplicai – Gen. 1:28), ditados por D’us a Adão e Eva. O “Brith Milá”(circuncisão), pacto selado com Abraham para todas as futuras gerações (Gen. 17:7-14). “Guid Hanashê”(a proibição de comer o tendão traseiro dos animais – Gen. 32:33) e nesta perashá Israel recebe a ordem de realizar o “Korban Pessach”, o sacrifício de um cordeiro às vésperas de romper os grilhões da escravidão no Egito (Ex. 12:3-20).

Este mandamento diz respeito à união familiar em volta da mesa, sucessivamente perpetuada ao longo do tempo. Em “Korban Pessach” nasceu a simbologia do lar como elemento de coesão religiosa e cultural. Na mesa são alimentados o corpo e o espírito. Ela é conhecida como um pilar para a harmonia entre as gerações que compõem o nosso povo, de fundamental importância na transmissão dos conteúdos judaicos, assim como dirimindo conflitos entre os indivíduos. Está plenamente entendida, portanto, a grande ênfase dada pelos sábios ao Seder de Pessach, estritamente familiar, que tem na Hagadá um minucioso manual da História da liberdade do povo judeu, contada ininterruptamente através desta fantástica cadeia de nossas gerações.

Quando o tirano Faraó, já enfraquecido em seu poder, porém tentando ainda impor condições, diz: “Ide, servi ao Eterno vosso D’us. Quais são os que vão?” (Ex. 10:8-9), obteve de Moisés uma explícita resposta vaticinando o futuro da nação que começava a nascer: “com nossos jovens e com nossos velhos iremos; com nossos filhos e com nossas filhas; com nossos rebanhos e com nosso gado iremos, pois temos festa do Eterno”, entendemos então qual o caminho e o ensinamento perenes. Seremos um povo livre, sem renunciar a nenhuma geração, essa é a meta, a união geral sem separações arbitrárias por idade ou ideais, onde os extremos cronológicos se toquem. Assim, com liberdade e continuidade, podemos viver a “Festa do Eterno”, nosso passado, presente e futuro.

Nenhum esforço pode ser considerado excessivo ante a magnitude de proporcionar o entrelaçamento dos membros de uma comunidade numa harmônica comunicação e ensinamento. Esta proximidade, de forma permanente, só trará o fortalecimento coletivo. Inferimos, então, que nesta perashá enfatiza-se a necessidade da união de Israel como um povo único e sólido, que sai da escravidão para a liberdade e como já dito, das trevas para a luz, vislumbrando nos ditames da Tora o guia que perpetuou nossa História ao longo dos séculos.

SHABAT SHALOM UMEVORACH !

Isaac Dahan

Chazan / Shaliach Tsibur do Comitê Israelita do Amazonas(CIAM)

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